14
FEV
2018

Todos precisamos ser redescobertos!, diz Dom José Francisco

Dom José Francisco, Arcebispo Metropolitano de Niterói, presidiu na noite do dia 14 de fevereiro, a tradicional missa da quarta-feira de cinzas, que marca o início da Quaresma no calendário cristão. A Santa Missa aconteceu na Catedral Metropolitana São João Batista,  e teve como concelebrantes, Dom Frei Alano, Arcebispo Emérito, Dom Luiz Ricci, Bispo Auxiliar, os Padres Wallace, Juvaldes, e André, e o Diácono Renato.

A Missa contou com a presença de centenas de fiéis, que compareceram para receber as cinzas na testa, como símbolo de arrependimento, perante Deus e lembrança da própria mortalidade: do pó viemos ao pó voltaremos.

A Quaresma é um período de preparação para a Páscoa, que se inicia com a distribuição de cinzas, recordando nossa fragilidade humana e a misericórdia de Deus. É um período marcado pela penitência e conversão, quando devemos ter uma atitude de reflexão, reconhecendo o amor misericordioso de Deus, que nos ama, nos perdoa e nos chama à conversão.

De acordo com Dom José Francisco, é o tempo de reconhecer nossas fraquezas e confiar no amor restaurador de Deus. Em sua homilia, disse o Arcebispo: “Hoje, a maior parte de minha fala será a palavra do Papa Francisco, em sua bela e prática mensagem sobre a Quaresma. Procurarei apenas resumi-la.” “Mais uma vez vamos ao encontro da Páscoa do Senhor! Deus, na sua providência, oferece-nos, através da Igreja, a Quaresma, sinal sacramental da nossa conversão, que anuncia e torna possível voltar ao Senhor de todo o coração e com toda a nossa vida.”

Nós sabemos que a Quaresma é tempo de reconhecer nossas fraquezas e de confiar no amor restaurador de Deus.

Na mensagem deste ano, o Papa deixa-se inspirar pela afirmação de Jesus, no evangelho de Mateus: «Porque se multiplicará a iniquidade, vai resfriar o amor de muitos» (24, 12). Ele nos diz:

“Esta frase situa-se no discurso que trata do fim dos tempos. Dando resposta aos discípulos, Jesus anuncia uma grande tribulação e descreve a situação em que a comunidade dos crentes poderá se encontrar: alguns falsos profetas enganarão a muitos, a ponto de ameaçar apagar-se, nos corações, o amor que é o centro de todo o Evangelho.

Nessa Quaresma, o Papa convida também os não católicos dizendo:

“Gostaria que a minha voz ultrapassasse as fronteiras da Igreja Católica, alcançando a todos vós, homens e mulheres de boa vontade, abertos à escuta de Deus. Se vos aflige, como a nós, a difusão da iniquidade no mundo, … uni-vos a nós para invocar juntos a Deus, jejuar juntos e, juntamente conosco, dar o que puderdes para ajudar os irmãos!”. Assim concluiu Dom José, seu resumo das palavras do Papa Francisco.

O Arcebispo aproveitou para destacar a situação que o nosso pais vive. Disse ele: “Para nós, brasileiros, a Quaresma também é o tempo da Campanha da Fraternidade, que hoje se abre em toda a Igreja no Brasil. O tema desse ano é muito atual: a superação da violência. Ouviremos muito nesta Quaresma que VÓS SOIS TODOS IRMÃOS (Mateus 23,8).

Motivos não faltam! Nossas residências estão trancadas, nós estamos isolados, o medo nos afasta, a violência nos intimida. Como num filme de terror, o Brasil responde por 13% dos assassinatos do planeta, um percentual que contradiz a imagem de povo pacato. Onde mais as pessoas podem pagar por segurança, é onde mais se pode contar com o aparato de segurança estatal. Nas periferias, os moradores estão entregues a grupos armados. A segurança é privilégio de poucos; a violência, realidade de muitos.

Quanto sangue, quanta dor! Às vezes fica a impressão de que o país precisa ser redescoberto. Todos precisamos ser redescobertos! Seremos redescobertos quando nos descobrirmos responsáveis uns pelos outros, responsáveis pela reconstrução de um projeto que foi esquecido. A hora chegou: o futuro é hoje. Somos convocados a ser agentes construtores da paz!”

Com as palavras do Santo Padre, Dom Jose concluiu a homilia: “(…) Na noite de Páscoa, reviveremos o sugestivo rito de acender o círio pascal: a luz, tirada do «fogo novo», expulsará a escuridão e iluminará a assembleia litúrgica. A luz de Cristo, gloriosamente ressuscitado, nos dissipe as trevas do coração e do espírito, para que todos possamos reviver a experiência dos discípulos de Emaús: ouvir a palavra do Senhor e alimentar-nos do Pão Eucarístico permitirá que o nosso coração volte a inflamar-se de fé, esperança e amor.”

Seguiu-se a distribuição das cinzas, e ao final da Santa Missa, o Arcebispo abençoou todos os presentes.

Por João Dias com fragmentos da homilia de Dom José
Fotos: João Dias

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