14
FEV
2020

Missionário da Arquidiocese escreve sobre Missão na África

O Padre João Batista, Missionário da Arquidiocese de Niterói, participa da missão em Guiné Bissau, a convite do Padre Daniel Rocchetti, da Comissão Missionária da CNBB.  Trata-se de um projeto de cooperação missionária, entre a CNBB e a as dioceses de Bafatá e Bissau, para a formação dos seminaristas. Eis a carta enviada à redação do Niterói Católico:

MISSÃO NA ÁFRICA EM GUINÉ BISSAU

Guiné Bissau, 3 de fevereiro de 2020.

Eu, pe. João Batista, estou muito feliz em participar da missão em Guiné Bissau, a convite do pe. Daniel Rocchetti, da comissão missionária da CNBB.  Trata-se de um projeto de cooperação missionária, entre a CNBB e a as dioceses de Bafatá e Bissau, que consiste em colaborar na formação dos seminaristas. Vim com a missão de: lecionar teologia pastoral, no seminário interdiocesano de Bissau, além de visitar os missionários(as) brasileiros(as), que atuam naquele país e conhecer as diversas realidades missionárias das duas dioceses de Bissau.

A missão ocorre de 3 janeiro a 13 fevereiro de 2020. Fui muito bem acolhido em Guiné Bissau. Na segunda-feira, dia 5 de janeiro, tiveram início as aulas no seminário, com uma turma de 26 alunos que cursam teologia, na sua maioria seminaristas diocesanos,  e participaram também, religiosos franciscanos OFM, duas religiosas franciscanas e uma leiga consagrada. Uma turma muito dedicada e participativa. Na turma de filosofia, estuda uma religiosa brasileira, ir. Camila (Santos SP).

O projeto missionário está me proporcionando a oportunidade de conhecer diversas realidades missionárias, pois as aulas são durante a semana, pela manhã, e nos tempos de folga, aproveito para fazer visitas, conhecendo assim, um pouco da vida eclesial de Bissau. E a expressiva presença das comunidades de missionários(as) brasileiros(as) que atuam aqui. São Bispo, padres, religiosos(as) de diversas congregações, comunidades de vida e  leigos, oriundos de diversas partes do Brasil. Tive contato com mais de trinta missionários(as), e ainda ficaram alguns sem conhecer. Fui muito bem recebido pelo Bispo de Bafatá, D. Pedro Zilli (São Paulo), missionário em Guiné Bissau há mais de 30 anos, há vinte como Bispo. Conheci a missionária leiga Adriana (Maringá), que há vários anos trabalha como secretária pastoral em Bafatá. Tive oportunidade também, de visitar a comunidade de vida Nova Aliança (Goiás), que atua em Gabu, assim como os missionários do projeto da CNBB Sul 1 Paraná, que estão presente em Quebu. Atualmente, estão construindo uma escola para atender à comunidade local. Fui visitar e celebrar na Comunidade de Vida Nova Berith (Paraíba), Kairós (Pernambuco).

Nos fins de semana, acompanho os padres diocesanos de Bissau, que atendem às comunidades do interior, chamadas de tabancas. Saíamos sempre de Bissau na sexta à tarde, e voltávamos no domingo à noite. Visitei as paróquias de Ingoré, fronteira com o Senegal, onde participei de um encontro com cerca de 175 jovens. Visitei também a paróquia de Caió, na qual predomina a religião tradicional africana. Estive conhecendo a realidade das Ilhas, Bubaque, onde encontrei a Irmã Ana Paula (Rio Grande do Sul) e a Ir. Maria de Lurdes (Santa Catarina), missionárias da Consolata. Participei também de alguns momentos do encontro dos bispos de língua portuguesa, que se realizou em Bissau. Tive oportunidade de acompanhá-los, em visita à Universidade Católica e a uma mesquita, a convite dos mulçumanos, pois o encontro tinha como tema “Paz e Ecumenismo “.

Está sendo, sem dúvida, uma experiência marcante em minha vida missionária, voltar ao continente africano, depois de 16 anos, quando estive na missão, em Moçambique, por seis meses. Conviver, mesmo que seja por pouco tempo, com este povo querido e alegre, não obstante as dificuldades que enfrentam, dão uma lição de vida! Fiquei impressionado, positivamente, com o trabalho social desenvolvido pelos missionários(as) e as diversas instituições internacionais humanitárias. Em todas as realidades missionárias que visitei, constatei pelo menos uma obra social, escolas, centros nutricionais, hospitais, e outros.

Pude ver, de perto, o empenho missionário realizado por missionários(as) de diversos países, aqui em Guiné Bissau. O continente africano é uma Igreja viva e já está produzindo muitos frutos de vocações sacerdotais, religiosas, missionárias e leigas. Basta conferir as últimas estatísticas da Igreja no mundo. O continente africano está superando todos os demais continentes em número de vocações e de fiéis. Estão também, aprendendo a partilhar missionários pelo mundo inteiro.

Por fim, agradeço a Deus, por esta oportunidade de servir como missionário, aqui em Guiné Bissau, à Arquidiocese de Niterói, na pessoa de Dom José Francisco, por ter permitido a minha vinda. Ao Pe. Douglas Fontes, Reitor do Seminário são José (Niterói), pela minha indicação para a missão. À dimensão missionária da CNBB, pela confiança depositada. Não posso deixar de agradecer aos bispos, padres, irmãs, seminaristas e leigos, que me acolheram com tanto carinho aqui em Guiné Bissau. Cheguei aqui com a missão de ensinar, mas certamente, aprendi muito mais.

Acredito, firmemente, que esta missão, aqui na África, foi providencial, pois está servindo de preparação para a nova missão que irei assumir no Brasil, ao voltar, em março de 2020, com a abertura de um novo projeto, Igrejas irmãs, que a Arquidiocese de Niterói irá iniciar, com a diocese de Humaitá AM. Um gesto concreto, em vista do Sínodo da Amazônia, e mais um sinal forte da partilha missionária de Niterói. Louvado seja Deus!

Pe. João Batista Toledo da Silveira

Fotos: Arquivo pessoal

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