01
DEZ
2017

DOM LUIZ RICCI – Encarnação e dignidade humana

“A Palavra eterna se fez pequena; tão pequena que cabe numa manjedoura. Se fez criança, para que a Palavra possa ser compreendida por nós. Desde então a Palavra já não é apenas audível, não possui somente uma voz; agora a Palavra tem um rosto, que por isso mesmo podemos ver: Jesus de Nazaré” (Bento XVI, Verbum Domini, 12). 

Aproxima-se o Natal do Senhor, o encontro do divino com o humano. Vamos abrir a porta do nosso coração a Jesus que vem, veio e virá novamente.  Por essa razão, nesse tempo do Advento, com frequência pedimos: Vem Senhor Jesus! O Príncipe da Paz quer renascer em nós e, com Ele, podemos também renascer para uma vida nova. Contudo, sem justiça, perdão, diálogo, tolerância e respeito não haverá a paz tão desejada por nós.

Que dessa vez Ele encontre “lugar”, pois há mais de dois mil anos “não havia lugar para eles dentro da casa” (Lc 2,7), por isso foi colocado na manjedoura. O lugar por excelência onde Jesus quer nascer é o nosso coração. Que este não seja mais um Natal! Que agora ele possa encontrar acolhida em nós. O amor de Deus é tão grande, que mesmo não encontrando lugar, seu Filho renascerá, dará a nós mais uma oportunidade, pois seu amor não é limitado como o nosso e não impõe condições para se expressar. Portanto, queridos irmãos e irmãs, todos nós temos um lugar apropriado para o nascimento de Cristo, que deve ser preparado. Como? A Igreja nos oferece o oportuno e profícuo tempo do Advento, tempo de vigilância, reconciliação e conversão. Que o nosso coração torne-se, neste Natal, uma manjedoura, capaz de acolher com docilidade Jesus que vem e, juntamente com Ele, nossos irmãos e irmãs, especialmente os pobres e necessitados, que revelam o rosto sofredor de Cristo e, também, não encontram lugar para uma vida digna, sendo descartados pela sociedade de consumo ou considerados um problema: “os pobres permitem-nos compreender o Evangelho na sua verdade mais profunda. Os pobres não são um problema: são um recurso de que lançar mão para acolher e viver a essência do Evangelho” (Francisco, Mensagem para o I Dia mundial dos pobres, 9).

“Na realidade, só no mistério do Verbo encarnado se esclarece, verdadeiramente, o mistério do homem” (GS, 22). A doutrina sobre a dignidade do ser humano se funda na Criação, Encarnação e Redenção. A dignidade humana, portanto, consiste em saber que Cristo, assumindo a nossa condição e redimindo a humanidade, está ao lado, isto é, unido a todos os homens e mulheres deste planeta, ainda que alguns não sejam conscientes dessa realidade e presença. “Em Cristo a natureza humana foi assumida e não destruída, por isso mesmo também em nós foi elevada à sublime dignidade. Porque, pela sua Encarnação, Ele, o Filho de Deus, uniu-se de certo modo a cada homem” (Ibid.).

Com a Encarnação do Verbo, Cristo Jesus, selou para o ser humano uma dignidade superior, ao se fazer um de nós (cf. Jo 1,14).  Portanto, pode-se dizer que o primeiro critério de moralidade referente à vida humana é o da sacralidade da vida. Acolher Jesus que vem, implica, portanto, conservar e promover a vida humana, para que seja verdadeiramente digna do homem. Trata-se de acolher, amar e servir Jesus no próximo, defender e promover a vida, especialmente a mais vulnerada.

A ocasião permite externar, na pessoa de nosso Arcebispo Dom José Francisco, um sincero agradecimento a todos e todas que, após minha nomeação, expressaram a mim, de vários modos, amor, afeto, alegria, generosidade e acolhimento. Foram meses intensos e de alegre convivência, aprendizado e crescimento. O balanço do ano que finda é sempre positivo porque, movidos pelo amor de Deus, somos capacitados para superar os obstáculos e situações adversas e com Maria, nossa Mãe Maior, cantar: “O Senhor fez em nós (e por meio de nós) maravilhas”!

Desejo-lhes frutuoso tempo de Advento, feliz Natal e abençoado Ano Novo.

Com gratidão e bênção.

+ Dom Luiz Antonio Lopes Ricci
Bispo Auxiliar 

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