12
AGO
2019

Arquidiocese se despede de Madre Bernadete

Homenagens e muita emoção na despedida de Maria Bernadete, fundadora do Instituto das Irmãs do Bom Conselho, falecida na tarde de sexta-feira, dia 09 de agosto, aos 101 anos.

Muitas homenagens e emoção, na despedida de Madre Maria Bernadete, falecida na sexta-feira, 9 de agosto, às 15h.  Desde este dia, várias celebrações de Corpo Presente vêm ocorrendo. Às 14h do dia 12 de agosto, depois da última celebração, foi realizado o enterro.

Madre Maria Bernadete, de nome civil Maria Madalena de Figueiredo, foi fundadora do Instituto das Irmãs do Bom Conselho, dedicando-se durante toda sua vida à oração pela Santificação dos Sacerdotes.

Nas missas de exéquias, estiveram presentes o Cardeal Dom Orani, Bispos, sacerdotes, religiosos, autoridades políticas, civis e militares de todas as partes do Brasil. Também estavam presentes os familiares da Madre, que nasceu no dia 22 de julho de 1918, em Sousa, na Paraíba.

A última Santa Missa teve a presidência do Arcebispo de Niterói, Dom José Francisco, Presidente do Regional Leste 1, concelebrada pelo Cardeal Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani,  pelo Arcebispo Emérito de Niterói, Dom Frei Alano, pelo Bispo Emérito de Campos, Dom Roberto, pelo Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro, Dom Roque, pelo Bispo de Barra do Piraí, Dom Luiz e vários sacerdotes.  Após a Missa, o corpo da Madre percorreu as principais ruas da cidade, sendo sepultada ao voltar ao convento.

Dom José Francisco destacou que “A madre fundadora, Madre Maria Bernadete, que hoje nós sepultamos, recebeu de Deus como graça e dom do Espírito Santo esse carisma, para imolar e oferecer a sua vida em favor dos sacerdotes, “por eles eu me consagro”, com esta frase de oração sacerdotal de Jesus. E nesse carisma, tem um carisma da igreja, colocado a serviço da igreja, de modo especial em favor dos sacerdotes, dos ministros ordenados, que trabalham no serviço de evangelização, oferecendo sacrifícios, orações e a própria vida, para que eles possam cumprir com fidelidade o chamado do Senhor. Por isso, nós agradecemos a  Deus pela vida da Madre Bernadete, pelo carisma, que através dela Ele concedeu à igreja, e pelo dom na vida de nossa Arquidiocese de Niterói, pois também somos beneficiados com esse carisma e com o trabalho das irmãs que, como discípulas de Madre Maria Bernadete também querem seguir Jesus, e fazer da vida um dom de amor em favor dos sacerdotes. Este momento é de despedida, mas ao mesmo tempo de muita gratidão ao Senhor, pela vida e pelo presente que Madre Maria Bernadete foi, não só para o Instituto, mas para a vida da igreja. É um grande dom de um instituto, ter a sua fundadora centenária, ela que faleceu com 101 anos, o que é uma coisa rara, e de poder estar convivendo com ela até esses últimos dias. Então, que Deus lhe dê a recompensa eterna e também o conforto para as irmãs, que sofrem com a partida, mas que agora têm a responsabilidade de viver ainda mais esse compromisso, o Carisma que ela procurou difundir como graça e Dom do espírito em sua vida”.

O Instituto de Nossa Senhora do Bom Conselho, que foi fundado pela irmã Maria Bernadete, juntamente com  Dom Jaime de Barros Câmara, Arcebispo do Rio de Janeiro, que acolheu esse carisma lá no Palácio São Joaquim, e que agora, depois de tantos anos, tem dado muitos frutos, na presença como igreja, de oração pelas vocações e pelos padres. Ela teve inspiração de consagração da vida pelos sacerdotes, “por eles me consagro”, e ao mesmo tempo para que seja tudo para maior glória de Deus, conforme depois foi a sua iniciação  jesuítica, inaciana, eu diria que é um marco, na história da nossa região, Regional Leste 1, e  pedindo a Deus que acolhendo essa nobre alma no céu, ela interceda por todos nós, pelos sacerdotes por quem se consagrou, destacou o Cardeal Orani João Tempesta, Arcebispo do Rio de Janeiro.

A Madre ingressou no Convento das Irmãs Missionárias Carmelitas aos 19 anos, na cidade de Cajazeiras, na Paraíba. No dia 15 de agosto de 1938, iniciou a etapa do postulantado e, em 10 de fevereiro de 1939, foi admitida ao noviciado, recebendo o hábito próprio e o nome religioso de Irmã Maria Bernadete de Jesus. Todo o período de formação durou dois anos.

Irmã Maria Bernadete emitiu os primeiros votos, dedicados à Nossa Senhora de Lourdes, em 1941. Já em 10 de agosto de 1950, proferiu os votos de castidade, pobreza e obediência, entregando-se, definitivamente, a Cristo, e dedicando-se a uma vida de oração, sacrifício e trabalho. Em janeiro de 1952, dois anos após os votos perpétuos, foi eleita superiora geral das Irmãs Missionárias Carmelitas, substituindo a fundadora, Madre Carmelita, que estava em idade avançada.

Madre Maria Bernadete, tendo um imenso desejo de incluir na ordem o compromisso de imolar-se pela santificação dos sacerdotes, sem a intenção de deixar o Carmelo, fez um pedido especial que não foi aprovado, mas o padre fundador a orientou então, a escrever uma carta a Roma.

Na transição de direção e orientação espiritual, a sede do instituto foi transferida para a Arquidiocese de Niterói e acolhida pelo Arcebispo Dom Antônio de Almeida Morais Júnior, no dia 11 de julho de 1963. Foi oferecida residência ao Instituto, na cidade de Maricá, assumindo os trabalhos pastorais e de catequese da Paróquia Nossa Senhora do Amparo.

As religiosas do Instituto de Nossa Senhora do Bom Conselho se consagram, emitindo os votos perpétuos e oferecendo suas vidas em união com Jesus na Eucaristia, que se imola constantemente ao Pai pela humanidade. As Irmãs, com Jesus, se imolam ao Pai, pela santificação dos sacerdotes. Este carisma foi inspirado no texto do Evangelho de São João: “Por eles, eu me consagro” (Jo 17,19).

A Madre fundadora sempre ensinou às suas filhas que as coisas ordinárias, por mais simples que sejam, devem ser realizadas de modo extraordinário, vivendo intensamente a vida comunitária, com fidelidade e doação. Elas devem ser como uma vela iluminando e aquecendo, sem nada exigir para si.

Por João Dias/diácono Nélio do Amparo
Fotos: Ederci Borges/diácono Nélio do Amparo

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